A PRIMEIRA ORDEM

ORDEM DOS FRADES MENORES - OFM
No início, os “penitentes de Assis”, como os primeiros frades se chamavam a si mesmos, foram pregadores nômades. No ano 1209/1210, levaram um documento a Roma onde tinham escrito várias palavras da Bíblia, escolhidas por eles para que fossem normativas para sua forma de vida. Também estavam incluídas algumas poucas prescrições para regular a vida comum, que os separava do “movimento de penitentes” em geral.
Assim, começaram uma história própria, como fraternidade franciscana. Essa primeira forma de vida, aprovada oralmente pelo Papa, foi atualizada de ano em ano. Em 1221, conhecida sob o nome “Regula non bullata” (RegNB), tornou-se tão volumosa que foi preciso preparar uma nova redação. Esta nova versão foi aprovada por uma bula papal em 1223 (= Regula bullata), abreviada pela sigla (RegB), que continua válida até hoje. Portanto, pode-se dizer que a fraternidade inicial tornou-se a Ordem dos Frades Menores no ano 1223 (cf. Mt 18 1-4).
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É importante, porém, notar que a pessoa de Francisco continua sendo a força modelar (= a “forma minorum” ) apesar e além da Regra. Ele é o “irmão por excelência” que encarna o ideal comum (cf. Jordão de Giano 17).

Atualmente, a fraternidade OFM vive uma grande tensão entre duas interpretações dos seus ideias fundamentais: de um lado, procuram uma vida bastante desprovida, fazendo trabalhos assalariados pesados, praticando a mendicância quando for necessário e dedicando-se à pregação; e do outro lado, levam uma vida de oração/contemplação e cultivam o convívio com as pessoas de fora por meio de um relacionamento fraterno ou até mesmo maternal. Essa tensão – que em Francisco se encontrava ainda unificada – levou no decorrer da história a muitos movimentos de reforma que até hoje continuam surgindo. Fundamentalmente, trata-se de duas orientações diferentes, porém, inter-ligadas.

Atenção a Deus pela oração e contemplação. Fazem parte desta atitude a pobreza radical, o despojamento absoluto de qualquer posse. Procura-se viver as mesmas condições sociais que as sofridas por todos os seres humanos acabrunhados pela pobreza. Assim, a pobreza voluntária se torna solidariedade modelar.

Doação aos homens e ao mundo em solidariedade vivida, Ligada esta segunda atitude é a proximidade a todas as pessoas humanas indistintamente, a vida nas cidades, a cura de almas, a assistência social, etc, permitindo, inclusive, o uso e a posse de recursos materiais necessários para exercer atividades apostólicas.

A história da Ordem dos Frades Menores pode ser caracterizadea por um ininterrupto movimento pendular, acentuando ora um pólo, ora o pólo oposto.

As novas tentativas entraram na história da Ordem sob vários títulos: Espirituais, Bernardinos, Descalços, Alcantarinos, Recoletos e muitos outros mais. Foi desta história, cheia de tensões, que nasceram os três ramos da Primeira Ordem ainda hoje existentes.

Pois, em 1517, o então Papa Leão X queria criar condições claras; por isso, a única Ordem existente naquela época, que tinha um único Ministro Geral, foi por ele dividida em duas Ordens independentes, seguidas pouco tempo depois por mais uma terceira. O Papa, porém, estava equivocada: o movimento pendular voltou a funcionar, fazendo surgir ainda outros agrupamentos. O Papa Leão XIII voltou a uni-los numa única entidade.

Hoje, encontramos três Ordens masculinas, independentes e autônomas que – todas as três – reconhecem Francisco como seu fundador, obedecendo à sua Regra de 1223:

OFM (=Ordem dos Frades Menores)

Entre as três, essa Ordem têm o maior número de membros. Normalmente é chamada pelo povo simplesmente de “Ordem dos Franciscanos”, ou Franciscanos, ou ainda, Observantes, Bernardinos etc. Em 1517, se deu a separação da Ordem dos Conventuais. A reorganização subseqüente da OFM foi novamente introduzida pelo Papa Leão XIII (União Leonina).

OFMConv (=Ordem dos Frades Menores Conventuais)

Numericamente, esta Ordem é a menor das três. Também é conhecida sob outros nomes, p.ex.: Minoritas etc.

OFMCap (=Ordem dos Frades Menores Capuchinhos)

Nos anos 1521-1528, surgiu a partir da OFM, num processo muito doloroso, a comunidade dos Capuchinhos, originalmente concebida como uma comunidade puramente contemplativa. O seu nome é derivado de um longo e pontudo capuz, usado pelos seus membros. Não demorou muito que também esse grupo começasse a intervir na vida pública, e até mesmo na política.

Novas iniciativas, cisões e dissidências nas três Ordens comprovam que o movimento pendular continua até hoje de modo ininterrupto.

Falta mencionar que esta história de reformas teve suas consequências para as comunidades femininas e para a Ordem Terceira também. A agregação a um ou outro desses movimentos foi chamada “obediência”. A Ordem Terceira, porém, foi se distanciando nos últimos anos da “obediência” a uma das outras Ordens, procurando sua independência. Isto não toca ou diminui, porém, a união e a assistência espirituais.

Contato: Frei Eurico Alves da Silva  – na Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe  

SÍNTESE DA HISTÓRIA DA CUSTÓDIA FRANCISCANA DAS SETE ALEGRIAS DE NOSSA SENHORA

Em 1936, a Província Franciscana de Santa Isabel da Turíngia, com sede em Fulda, na Alemanha, passava por uma fase de florescimento e via crescer de forma animadora o número de frades. Imbuídos de espírito missionário, muitos desejavam partir para as terras de missão. Em janeiro de 1937, a Província da Imaculada Conceição do Sul do Brasil cedeu-lhe a área dos atuais Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul como terra de missão. O Ministro Provincial da Turíngia, Frei Vicenz Rock, com seu Definitório, aceitou, em 02/03/1937, a oferta e o Mato Grosso de então foi escolhido como novo campo de atividade missionária. Aos 29 de junho de 1937, aconteceu o solene envio dos quatro primeiros missionários para a nova terra de Missão. Foram freis Eucário Schmitt, Antonino Schwenger, José Passmann (Wolfram) e Francisco Brugger, todos sacerdotes. Frei Eucário Schmitt, com doutorado em Direito Canônico pelo Pontifício Ateneu Antonianum de Roma, foi encarregado pelo Governo Provincial de organizar a nova missão. No dia 14 de julho, aportaram no Rio de Janeiro. Nos conventos da Província da Imaculada Conceição, aclimataram-se e aprenderam a língua portuguesa.

1. Primeiras Fundações: No começo de 1938, chegou-se a um acordo com o Arcebispo de Corumbá, Dom Vicente B. Maria Priante, acerca dos lugares das primeiras fundações: Entre Rios, atual Rio Brilhante, na então Diocese de Corumbá, e Rosário Oeste, na Arquidiocese de Cuiabá. Aos 06 de fevereiro de 1938, Frei Antonino tomou posse como primeiro pároco franciscano em Rio Brilhante, e aos 20 de março, Frei José (Wolfram) Passmann, na paróquia de Rosário Oeste. No dia 15 de outubro de 1938, a Missão foi ereta pelo Governo Geral da OFM em “Comissariado de Mato Grosso”, sob o título de “Virgo Gaudiosa” e o patrocínio de São Francisco Solano, padroeiro das Missões Franciscanas.

2. Expansão do Comissariado: Nos primeiros anos de sua existência, o Comissariado se expandiu muito. Isso se explica pelo entusiasmo missionário dos frades, mas também pela situação política da Alemanha de então. Temia-se que a ditadura nazista fosse expulsar todos os frades do país. Assim procurou-se um lugar para os prováveis futuros exilados. Nestas condições, o Comissário, Frei Eucário, aceitou todas as ofertas dos Bispos de Cuiabá e Corumbá. Foram assumidas as paróquias de: Chapada dos Guimarães (1939); Herculânia, hoje Coxim (1939); Nossa Senhora da Boa Morte, Cuiabá (1940); Porto Murtinho (1940); Paranaíba (1940); Dourados (1941); Aparecida do Taboado (1941); Maracaju (1941); Santo Antônio de Leverger (1941); Pirenópolis, no Estado de Goiás (1941); Estação Missionária para os japoneses em Campo Grande (1942).
Em 1940, foi criada a “Prelazia de Sant’Ana de Chapada” com sede em Chapada dos Guimarães; em 1962, foi transferida para Rondonópolis e, em 1986, foi ereta em “Diocese de Rondonópolis”. O primeiro Prelado e Bispo de Magido foi um frade do Comissariado, Dom Vunibaldo Talleur, OFM. Todo o território da Prelazia foi confiado aos franciscanos, que foram, até 1964, os pioneiros e únicos missionários a atuar na região.

3. Atividade Missionária: A Província da Turíngia aceitou o território de Mato Grosso como “Terra de Missão” e, de fato, pela fraca formação religiosa, pela extensão das paróquias e pela pobreza do povo, requeriam-se missionários com espírito de sacrifício e zelo apostólico.
Nos primeiros decênios, a atividade missionária consistia no atendimento de paróquias praticamente abandonadas e muito extensas, chegando a áreas de 20.000 quilômetros quadrados, em que o povo vivia espalhado em sítios, fazendas, garimpos e povoados. No trabalho pastoral, a prioridade era a catequese do povo, o zelo pelas associações religiosas e a fundação de escolas. Um dos grandes instrumentos de atendimento da maioria do povo foi a “desobriga” no sertão ou pantanal, que não era um pastoreio intensivo, mas era a única solução naquela situação. Mas essa situação, com o passar dos anos, foi mudando. Diversas circunstâncias, como a intensa colonização a partir de 1945, a urbanização, a subdivisão das paróquias, a nova mentalidade introduzida na Igreja pelo Concílio Vaticano II, transformaram a atividade pastoral dos primeiros decênios do Comissariado.

4. Atividade Cultural e Social: Desde o início, os Franciscanos, vendo a situação de pobreza, falta de instrução e de saúde, se empenharam na promoção humana. Foram construídas escolas em quase todas as paróquias, e hospitais em Chapada dos Guimarães, Rosário Oeste e Caarapó; Seminários em Fátima de São Lourenço e em Rio Brilhante e,mais tarde, em Rondonópolis.
Seguiram-se construções de belas e sempre mais amplas igrejas, com centros pastorais em quase todas as paróquias, levantados pelos competentes mestres Freis Walfredo Staehle e Hugo Lang. No campo da medicina alternativa, destacaram-se Freis Canuto Amann e Osvaldo Braun, grandes conhecedores da homeopatia.

5. Promoção Vocacional: Desde o começo, procurou-se promover vocações mato-grossenses. Para esta finalidade foram criados os ditos Seminários de Fátima de São Lourenço e Rio Brilhante, onde muitos rapazes estudaram o “primeiro grau”, para depois cursar o “segundo grau” no Seminário de Agudos, SP. Mas o “chão” não estava suficientemente preparado. É conhecida a palavra de Dom Vunibaldo: “Fico contente e agradeço a Deus, se um ou outro dos filhos dos atuais seminaristas se tornar padre e/ou religioso”. A falta de pessoal, o envelhecimento dos frades, o aumento do trabalho pastoral, levaram o Comissariado, chamado de “Custódia das Sete Alegrias de Nossa Senhora” a partir de 1967, a concentrar cada vez mais as forças existentes. Paróquias menos condizentes foram entregues e a formação de Centros Regionais facilitou o trabalho de pastoral de conjunto.

6. Ajuda das Províncias Brasileiras: A partir de 1974, duas províncias franciscanas do Brasil acolheram o pedido de ajuda da Custódia de Mato Grosso; sentiram-se até fraternalmente obrigadas a levar em frente a obra missionária dos irmãos alemães, criada com grandes sacrifícios durante quase 40 anos. Após o “Congresso da Esperança”, realizado em Campo Grande em fevereiro de 1974, a Província da Imaculada Conceição do Brasil aceitou generosamente a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, em Dourados. Um ano depois, assumiu a direção do Seminário Santo Antônio, em Rio Brilhante.
Também a Província São Francisco de Assis, do Rio Grande do Sul, resolveu no seu Capítulo, em dezembro de 1974, assumir, a partir do ano seguinte, a Paróquia Nossa Senhora do Rosário, em Rosário Oeste. Com esta ajuda magnânima, que não deixa de ser uma bela página de amor fraterno e franciscano, a Custódia experimentou uma nova primavera e um novo desenvolvimento.

7. Caminhada para Vice-Província: Com a ajuda das duas Províncias brasileiras, a Custódia assumiu novos campos de atividade e, aos poucos, formou-se uma nova fraternidade franciscana com frades de várias províncias e procedências. Por isso, em 1977, o Ministro Provincial de Fulda, Frei Sigfrid Klökner, na Assembleia Geral da Custódia, lançou a ideia de formar uma entidade autônoma. Na Assembleia Geral de 1983, que contou com a presença dos Provinciais das três Províncias interessadas (Fulda, São Paulo e Porto Alegre), constatou-se que a nova entidade franciscana autônoma era necessária e possível.
Finalmente, em 1987, após uma visita canônica a toda a Custódia, o Ministro Provincial de Fulda, Frei Silvester Neichel, constatou que havia chegado a hora de solicitar ao Governo Geral da Ordem a elevação da Custódia em Vice-Província (com status autônomo). Para comprovar a viabilidade da fundação de uma Vice-Província no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o Ministro Geral da Ordem, Frei João Vaughn, nomeou Frei Dario Campos (da Província Santa Cruz, de Minas Gerais) Visitador Geral da Custódia. Com o resultado positivo dessa visita, realizou-se a passagem da Custódia para a “Vice-Província Franciscana das Sete Alegrias de Nossa Senhora” no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O ato aconteceu aos 06 de fevereiro de 1988, nas comemorações do cinquentenário da presença dos franciscanos em terras mato-grossenses. Esteve presente o Ministro Geral, que deu posse ao primeiro Ministro Provincial Frei Maurílio Schelbauer.
O Capítulo Geral de 2003, em Assis, Itália, suprimiu a nomenclatura de Vice-Província em toda a Ordem. As Províncias deveriam ter, a partir deste ato, 40 frades professos solenes e seis guardianatos. Criaram-se então as Custódias Autônomas regidas pelas mesmas leis das Províncias com alguma modificação estrutural, como a eleição do custódio de três em três anos e o Conselho no lugar do Definitório.
No dia 08 de dezembro de 2004, por decreto do Ministro Geral, foi criada a Custódia Autônoma Franciscana das Sete Alegrias de Nossa Senhora, tendo como primeiro custódio Frei Erivan Messias da Silva.

8. Datas Comemorativas, Comissários, Delegados, Custódios e Ministros
*1937: 02 de março: o Definitório da Província-Mãe (Fulda) aceita a Missão do Mato Grosso.
*1937: 29 de junho: envio dos primeiros quatro missionários. Frei Eucário é encarregado da organização da Missão.
*1938 – 1943: Frei Eucário Schmitt, Comissário Provincial.
*1940: o Comissariado é registrado juridicamente em Cuiabá: “Missão Franciscana da Primeira Ordem de São Francisco no Estado de Mato Grosso”.
*1943-1949: Frei Cyprian Bassler, Comissário Provincial.
*1949: Primeira visita de um Ministro Provincial de Fulda ao Mato Grosso (Frei Georg Roth).
*1949-1958: Frei Eucário Schmitt, Comissário Provincial (cf. as CC.GG. de 1954, o Comissário chama-se a partir de agora Delegado Provincial).
*1958-1963: Frei Servácio Schulte, Delegado Provincial.
*1963-1967: Frei Engelberto Raab, Delegado Provincial.
*1965: Primeira Assembleia Geral do Comissariado.
*1967: Por decreto, os Comissariados são transformados em Custódias.
*19(67)1968: Frei Frederico Mies, Custódio. (Por motivo de saúde, Frei Frederico renunciou em 25 de setembro de 1968).
*1968-1969: Frei Mateus Rothmann, como Primeiro Conselheiro, dirige a Custódia.
*1969-1970: Frei Antonino Schwenger, como Vice-Custódio, dirige a Custódia.
*1970-1973: Frei Antonino Schwenger: Custódio.
*1973-1982: Frei Hermano Hartmann: Custódio.
*1982-1988: Frei Jorge (Godehard) Elsing: Custódio.
*1988: 06 de fevereiro: passagem da Custódia para Vice-Província
*1988-1991: Frei Maurílio Schelbauer: primeiro Ministro Provincial (nomeado pelo Ministro Geral com seu Definitório por três anos).
*1991-1993: Primeiro Capítulo Provincial (06/02/1991) – Frei Maurílio Schelbauer eleito Ministro Provincial.
*1993-1999: Segundo Capítulo Provincial (29/11-03/12) – Frei Bernardo Dettling, Ministro Provincial eleito.
* 1996: Capítulo Intermediário (3º Capítulo).
*1999: 23 a 28/10: 4º Capítulo Provincial – Frei Erivan Messias da Silva, Ministro Provincial eleito.
* 2002: Capítulo Intermediário (5º Capítulo).
*2004: 08/12 – A Vice-Província é erigida como Custódia Autônoma por decreto do Ministro Geral.
*2005: 17 a 21/10: Primeiro Capítulo Custodial – Frei Erivan Messias da Silva, Custódio eleito.
*2008: 27 a 31/10: Segundo Capítulo Custodial – Frei Aluísio Alves Pereira Júnior, Custódio eleito.
*2011: 17 a 22/10: Terceiro Capítulo Custodial – Frei Roberto Miguel do Nascimento, Custódio eleito.
*2014: 13 a 17/10: Quarto Capítulo Custodial – Frei Roberto Miguel do Nascimento, Custódio reeleito.

Nota: Os Comissários, Delegados e Custódios até 1988 foram nomeados pelo Ministro Provincial de Fulda com seu Definitório.